19 de abr. de 2014

Past Memories Conto 08: A Ilha Dos Dragões (Parte I)

Voice's Stéfane
Eu não podia acreditar que estava fazendo isso. Soluço certamente estava querendo me ver morta, isso sim. Stoico estava bravo com Soluço, e queria conversar com ele sobre as aulas, mas Soluço simplesmente não deixava Stoico falar, sempre comentava sobre eu ir na ilha dos dragões e fazia o chefe quase e engasgar com a sua bebida. Amanhã bem cedo Soluço iria me levar para a ilha dos dragões, e me deixaria lá, sozinha e completamente sem armas para poder me defender.
- Ele vai fazer o quê? - Gritou Perna-de-Peixe.
- É isso aí que você ouviu. Ele vai me mandar pra ilha dos dragões sem equipamento nenhum para mim treinar um dragão. E eu nem sei como fazer isso, não sou como vocês.
- Mas você sabe muito sobre os dragões, poderia tentar. - Ele aconselhou.
- Mas se você não percebeu, para mim aquilo era conto de fada e parecia fácil, mas já que isso aqui é real eu posso acabar virando comida de dragão, e não, eu não vou matá-lo esmagando o seu coração.
- Como sabia que eu iria dizer isso?
- Tenho minhas fontes.
- Você me dá medo. - Ele se afastou um pouco e abraçou Batatão.
- Ei, vocês dois! - Ouvi Cabeça-Dura chamar-nos. - Soluço está chamando todos os treinadores da academia, e isso incluí você Stéfane. Parece que você é a mais nova treinadora.
- Pelo menos foi o que ele disse. - Concluiu Cabeça-Quente. - Não se preocupa, a gente de da uma carona. - Neguei com a cabeça e fui em direção a academia de dragões com eles.
- Não, eu vou a pé mesmo, eu acho mais natural. Bom, a gente se vê na academia.
- Você é quem sabe. - Perna-de-Peixe deu de ombros. - Mas eu ainda estou espantado com essa história de você ir para a ilha dos dragões sozinha.
Eu também estou espantada. Pensei. Cabeça-Quente e os outros foram em direção a academia de dragões e eu fiquei parda por um tempo. Eu não queria ir para a ilha dos dragões, não mesmo. Comecei a caminhar em passos lentos até a academia, não estava com vontade de ir e ouvir Soluço dizer que eu iria treinar um dragão. Sabe, treinar um dragão era o meu maior sonho, até eu descobrir que isso tudo é real. No meio do caminho, encontrei Maitê e Júlia. Sorri e acenei para elas.
- Já está sabendo da novidade? - Maitê perguntou.
- Não. O que está acontecendo? - Respondi. - Júlia e Maitê se entre olharam.
- Stoico disse que um elfo está vindo passar um tempo aqui em Berk. - Júlia respondeu.
- Lindo! Já basta dragões e piratas agora tem elfos! - Elas me olharam estranho. - Só falta me dizer que também existem sereias.
- Sim, sereias existe. - Ouvi uma voz e olhei para o alto. Era Peter Pan. - Se quiser, te apresento a Ariel algum dia.
- Maravilha! - Ironizei.
- Okay, mas antes eu quero te apresentar uma outra pessoa. - Peter apontou para trás de mim e eu me virei. Era uma menina. Ela tinha longos cabelos pretos, pele branca e aparentava ser simpática. - Stéfane, essa é a Larissa. Larissa, essa é a Stéfane.
- Oi! - Disse. Larissa sorriu. - É um prazer conhecê-la.
- Que é isso, o prazer é todo meu. - Sorri. - Ouvi dizer que você vai pra ilha dos dragões, é verdade?
- Infelizmente é.
- Infelizmente? Você deveria é estar feliz. A ilha dos dragões é o melhor lugar para se procurar uma aventura. 
E sabe do que mais? Você nunca sabe o que pode encontrar lá. Uma vez encontrei o Grito da Morte e chamei o Soluço para poder pelo menos tentar treinar ele. E sabe o que aconteceu? - Peter se aproximou de mim enquanto perguntava.
- Ele quase virou comida de dragão.
- Errado! Ele conseguiu o treinar. - Cruzei os braços. - Você poderia pedir pra ele deixar o Grito da Morte ser seu.
- Não obrigado. Eu tenho um amigo que quer o Grito da Morte mais do que qualquer pessoa nesse mundo.
- Dagur? - Júlia falou espantada.
- Quê? Não. É um amigo que assiste a série e se apaixonou pelo Grito da Morte. E afinal, como foi que vocês viraram filme?
- Só o Soluço pode te responder isso. - Maitê me respondeu.
Antes que eu pudesse reclamar, ouvi Banguela perguntar se eu demoraria mais um pouco para ir a academia de dragões. Me virei e lá estava ele e Soluço. Sem deixá-lo falar alguma coisa, subi em Banguela e esperei Soluço subir. Eu sabia exatamente o que ele me mandaria fazer, então sem que ele gastasse saliva, eu fiz o que ele me mandaria.
- Garota rápida.
Bufei. Soluço subiu em Banguela e o mesmo voou até a academia. Eu iria certamente para a ilha dos dragões depois de passar na academia, e se o Soluço acha que eu vou ficar lá até ter o meu próprio dragão ele está muito enganado. Fiquei pensando um pouco sobre as novas pessoas que estou conhecendo, se eu saísse daqui e contasse o que me aconteceu, ninguém acreditaria. Mas é loucura você saber que tem que lutar com o provável rei das trevas. Sinceramente, Breu me dá mais medo do que o Rumpelstiltskin.
- Tenho que te dar uma dica antes de você começar a sua jornada na ilha dos dragões. - Bufei novamente.
- Que beleza! - Acho que Soluço percebeu a minha ironia, pois se aproximou de mim e abraçou-me de lado. - Você sabe mais que qualquer pessoa que está aqui que eu não quero ir, não sabe?
- Infelizmente eu vou ter que concordar com ela. - Melequento se intrometeu. – Olha, eu tenho a absoluta certeza de que ela não vai conseguir ficar viva por um dia.
- Eu também acho. – Olhei para Soluço. Ele revirou os olhos e olhou para cada um que estava ali, Soluço estava muito sério.
- Gente, eu não estou fazendo isso por mal. Todos nós temos dragões, e pelo que eu sei, ela encontrará um dragão no qual pensávamos existir apenas um.
- Eu aposto o Morte Rubra! – Gritei. Todos olharam para mim e começaram a rir.
- Essa menina não tem um parafuso no lugar, só pode. – Cabeça-Dura dizia enquanto ria.
- Fala sério, quem é que vai treinar o Morte Rubra? Só pode ser louco. – Soluço colocou as mãos na barriga e engasgou-se com sua própria saliva, o que me fez rir. – Ah, para de rir!
- Qual é? Agora é a minha vez de rir. – Respondi.
- Mas agora falando sério, ninguém iria conseguir treinar aquele dragão. – Astrid parou de rir.
- Vocês não entendem o humor. Mas então, o que você queria mesmo?
- Eu queria avisar que ninguém poderá seguir a Stéfane, deixe-a sobreviver por si mesma, igual naquele dia em que fomos para a ilha dos dragões à noite. – Levei minha mão na testa.
- Você fez eu perder meu preciso tempo para falar isso? – Ele assentiu. – Grr! Vamos logo para essa maldita ilha enquanto eu estou deixando.
- É melhor aproveitar mesmo. – Soluço disse antes de subir em Banguela. 

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