Voice's Stéfane
Na noite escura e fria de uma provável sexta-feira, eu me encontrava enrolada em um cobertor de minha mãe e com uma faca nas mãos. Eu estava com medo, e a minha única arma era aquela faca. Eu ainda não consigo acreditar que isso realmente está acontecendo comigo. Se fosse um sonho, eu queria que eu jamais acordasse, ou quem sabe, acordar seria a melhor opção. Deitei-me na terra e fechei meus olhos. Memórias de minha antiga vida vieram e minha mente, eu sentia uma enorme saudade da minha família. A última coisa que me lembro é de ter visto um vulto de um dragão bem parecido com o Banguela e imediatamente fechar os olhos.
Acordo com o barulho de alguém se aproximando. Pego a minha pequena faquinha e aponto na direção do barulho. Talvez fosse uma pessoa legal que me ajudaria a sobreviver nessa ilha, mas não era. Quando a coisa apareceu, olhei para baixo e era um Terror Terrível. Ele me encarou durante algum tempo e eu fazia o mesmo.
- É uma pena você não me entender. Eu estou precisando de ajuda e não faço a mínima ideia como te dizer isso. - O pequeno dragão me disse.
- Para a sua informação, eu lhe entendo. Do que você precisa? - O dragão assustou-se ao respondê-lo, as pessoas daqui não falam mesmo dragonês.
- Você pode me entender? - Assenti. - Ótimo! Bem, eu estou perdido e os dragões maiores não me querem por perto, dizem que eu os incomodo. E ouvi dizer que na ilha chamada de Berk as pessoas estão convivendo em paz com os dragões. Passei por aqui ontem a noite com uma amiga minha, mas ela não acredita nessa história de humanos e dragões em paz.
- E o que você deseja?
- Vi um papel com o símbolo de Berk com você, você é de lá? - Assenti. - Queria saber se você podia me levar com você, quero um lugar onde a paz reine.
- Bem, a paz não reina exatamente lá. Algumas tribos inimigas não perdem a chance de nos atacar. Mas você me parece um Terror Terrível adorável. - Ele se aproximou de mim e sentou-se em minha perna. - Eu me chamo Stéfane.
- Ping. Mas pode me chamar do que quiser.
- Gostei de Ping. Então, aceita ser o meu mais novo amigo? - O Terror Terrível assentiu todo contente.
- O que você faz aqui? - Ping perguntou um tanto curioso.
- Vim conseguir um dragão no qual eu conseguisse treinar. É isso que nós fazemos em Berk. Não sei se irá gostar de ser treinado.
- Faço tudo para poder ficar em um lugar em que eu seja aceitado.
- Em Berk todos os dragões são bem-vindos. Desde que não destruam a aldeia. - Ri. - Bom, temos uma longa jornada pela frente.
- Poderíamos encontrar a minha amiga. Eu me lembro que ela foi para o norte da ilha.
- Acha que ela vai gostar de ser treinada?
- Não. Mas ela tem que ver que você só quer o bem dela.
Ping subiu até meu ombro e eu juntei as minhas coisas. Guardei tudo na minha mochila que Soluço havia me dado e fomos para o Norte da ilha. Ping me falava sobre essa tal amiga, e disse que ela nunca o disse seu nome ou o motivo de ser tão fria e ter um pensamento tão severo sobre os humanos. Ele também disse que a sua espécie era diferente de todas as demais, e nunca viu um dragão como ela. Me disse que seus olhos eram azuis da cor do céu de dia e a noite um azul incrivelmente escuro. Pelo que parece, ela é a cria dum raio de luz solar que caiu numa ilha de humanos a noite. E por isso, ela é diferente, talvez até diferente da sua própria espécie.
- O que mais vocês fazem nessa Berk? - Ping perguntou enquanto eu tentava atravessar um rio no qual a água estava bem agitada, e se caísse, seria levada pelas correntezas. - Pare ser interessante.
- Algumas vezes sim e algumas vezes não. Quando os viking e os dragões fizeram uma trégua, os dragões destruíram um pouco a aldeia, oque fez o chefe mandar os dragões ficarem presos no local onde eles os matavam. Mas então o filho dele, Soluço e como eu sempre sonhei, meu amigo, fez o contrário do que o pai falou.
- O que ele fez?
- Convenceu os cavaleiros de dragões a usá-los em seu dia-à-dia. Um exemplo: pesca, agricultura e entre outros. Mas havia uma pessoa que não estava satisfeita em ver os vikings e dragões em paz. Seu nome era Bolor, ele odiava dragões e não sei se ainda odeia. Ele avisou à Stoico que os dragões estavam soltos, mas para a sua infelicidade, Stoico ao invés de punir seu filho e os amigos, os mandou começar uma academia de dragões.
- Se eu encontrar esse Bolor eu vou arrancar o coro de suas pernas. - O dragão fez uma cara brave, o que me fez rir. Ping era certamente um filhote ainda, tinha muito o que aprender. - Me conte mais! Me conte muito mais!
- Bem, deixe-me ver. - Pensei por alguns estante. - Acho que você merece saber como os viking e dragões fizeram uma trégua. - O pequeno dragão voltou ao meu ombro e ficou ouvindo a história. - Tudo isso aconteceu por causa de Soluço e Banguela, eles descobriram muito sobre eles mesmos e inclusive como viver em harmonia. Na época, Soluço estava fazendo alguns testes para poder matar o seu primeiro dragão, e sem querer, com a ajuda de Banguela ele foi escolhido para poder matar um dragão.
- Que horror! Continue!
- Só que Astrid, agora namorada de Soluço descobriu sobre ambos. No início ela achou loucura, mas Soluço a mostrou que é muito melhor ser amigo de um dragão do que matá-lo. No dia do teste final de Soluço, ele tentou mostrar aos outros vikings que eles não precisavam matar dragões, mas deu tudo errado. E Banguela foi tentar ajudar Soluço, só que o pobre dragão foi capturado. Soluço acabou sem querer contando sobre essa ilha. - Ping olhou para a ilha atentamente.
- Essa ilha foi cenário da aliança entre humanos e dragões? Que incrível!
- Quando os vikings vieram para cá, não sabiam exatamente o que iriam enfrentar, então acabaram se dando mal quando viram um dragão enorme. - Ping parecia estar realmente interessado nessa história. - Felizmente Soluço e os amigos conseguiram derrotar o dragão, mas infelizmente Soluço perdeu sua perna tentando proteger seu povo. E se não fosse Banguela, Soluço teria sido queimado vivo. E foi assim que eles descobriram que dragões e viking podiam viver sem ter que matarem uns aos outros.
- Você contou todas essas aventuras, mas em nenhuma delas você apareceu. Onde você estava quando isso aconteceu? Sabe, seria legal você ter participado, você me parece tão corajosa e determinada para proteger aqueles que ama.
- Eu não vivia em Berk.
- E onde você morava antes de ir para Berk?
- Eu vivia no Brasil.
Voice's Soluço
Ela já estava naquela ilha a quase um dia, e eu estou aqui me perguntando onde eu estava coma cabeça em tê-la mandado pra lá. Mas agora era tarde, eu não podia mais voltar atrás. Quem sabe ela tem sorte e traga com ela um dragão para treinarmos e ainda por cima ser só dela? Estava voando com Banguela sobre a ilha quando vi um dos navios de algumas pessoas que viajam de ambas as ilhas para comercio, turismo ou até mesmo fazer confusão. Certamente o tal elfo que todos estavam falando estavam naquele navio. Pousei na praia e fui em direção ao meu pai, que estava os esperando.
- Espero que esse elfo só esteja querendo paz.
- Se Stéfane estivesse aqui ela certamente iria falar e falar até convencermos ela novamente sobre a nossa existência. - Meu pai olhou pra mim um pouco furioso e eu não entendi direito o motivo.
- E por falarmos nela. Que história é essa de que você a mandou para a ilha dos dragões?
- Olha, é um pouquinho complicado...
- Isso não importa agora. - O navio havia acabado de chegar, dele saiam algumas pessoas da nossa ilha e outras pessoas conhecidas nossas, um exemplo, Sara, ou Elsa, ah não sei sei. Vi o elfo sair do barco, ele aparentava ter uns vinte e poucos anos, mas o bom era que ele parecia ser amigável.
- Tenho a leve impressão de que vou gostar desse lugar. - O elfo disse. O mesmo se aproximou de mim e de meu pai e nos cumprimentou. - Você deve ser o chefe e você ser o filho do chefe. - Acho que tá meio que óbvio, não é? - Sou Paladis, mas podem me chamarem só de Palas. - Ele sorriu.
- Seja muito bem vindo! - Meu pai o respondeu. - Este é Soluço, o herdeiro da ilha como você já deve saber.
- Ouvi falar de você. Você é o garoto que mostrou que podemos ter harmonia, não é? - Assenti. - Seria pedir muito para você me ensinar algumas coisas sobre os dragões?
- Não. Mas primeiro você precisa passar por um teste de confiança. Depois da Heather eu não posso correr o risco de confiar nas pessoas sem conhecê-las primeiro.
- Não se preocupe, acho que eu serei a pessoa mais confiável dessa ilha.
- Na verdade a pessoa quase mais confiável dessa ilha pode estar a ponto de dar esse título a você, caso passe no teste. - Palas fez uma cara estranha. Meu pai disse que era para mim mostrá-lo a ilha enquanto ele resolvia alguns negócios com Bocão.
- Você parece estar preocupado.
- Eu estou é desesperado. Stéfane pode estar sendo decapitada por um dragão nesse exato momento e eu não posso fazer nada. Eu disse que ela tinha que ir sozinha, e quando alguém fala algo ela leva a sério.
- Pera, você disse Stéfane? - Assenti.
- Ouvi falar de você. Você é o garoto que mostrou que podemos ter harmonia, não é? - Assenti. - Seria pedir muito para você me ensinar algumas coisas sobre os dragões?
- Não. Mas primeiro você precisa passar por um teste de confiança. Depois da Heather eu não posso correr o risco de confiar nas pessoas sem conhecê-las primeiro.
- Não se preocupe, acho que eu serei a pessoa mais confiável dessa ilha.
- Na verdade a pessoa quase mais confiável dessa ilha pode estar a ponto de dar esse título a você, caso passe no teste. - Palas fez uma cara estranha. Meu pai disse que era para mim mostrá-lo a ilha enquanto ele resolvia alguns negócios com Bocão.
- Você parece estar preocupado.
- Eu estou é desesperado. Stéfane pode estar sendo decapitada por um dragão nesse exato momento e eu não posso fazer nada. Eu disse que ela tinha que ir sozinha, e quando alguém fala algo ela leva a sério.
- Pera, você disse Stéfane? - Assenti.
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