12 de abr. de 2014

Past Memories - Conto 07: Aulas Suspensas

Voice's Maitê
– O quê? Eu não estou apaixonado por ela! - Gritou Soluço.
– E quem disse a palavra apaixonado? Eu disse que você estava encantado. Você está encantado pelo simples fatos dela ser diferente de algumas garotas. Jack me falou que você a trata como uma irmã, e ela certamente pensa o mesmo de você.
– Você acha que eu estou sendo muito duro em impedi-la de visitar os seus pais?
– Sabe, ela está acostumada em ter uma mãe do lado dela, aqui ela não tem isso, e eu acho que você devia deixá-la ver a mãe quando precisar. Bem, eu tenho que ir, provavelmente encontrarei o Jack e a Stéfane no caminho e então eu a conhecerei.
Soluço assentiu e levantou-se para abrir a porta para mim. Assim que ele a abriu, uma garota se preparava para abri-la, certamente era Stéfane. Ela tinha cabelos curtos que começavam a ficar ruivos, e eu não podia me esquecer de uma mecha branca na parte da frente de seu cabelo. Seus olhos tinham uma mistura de azul e verde, e suas roupas era idênticas a de Soluço, elas cabiam perfeitamente nela, que assim como Soluço, era bem magra, mas não tanto quanto ele.
– Maitê, estávamos comentando exatamente sobre você. - Jack aproximou-se nós duas e sorriu. - Maitê, está é a Stéfane, Stéfane, esta é a Maitê.
– Oi, é um prazer conhecê-la! - Stéfane apertou a minha mão e eu retribui com um sorriso. - Jack me falou que você podia controlar o tempo, e seria muito legal presenciar você fazendo isso um dia.
– O que acha de ser amanhã? Vou vim passar um tempo em Berk e te mostrarei como eu controlo o tempo, se quiser, eu te ensino.
– Obrigada, mas eu não sei se posso fazer isso. Jack tentou de todas as formas me fazer ativar meus poderes, mas nada adiantou.
– Você via conseguir, você é Stéfane. - Coloquei a mão em seu ombro e sorri. - Eu tenho que ir, mas amanhã eu passo aqui e tentarei fazer com que você ative seus poderes.
Voice's Stéfane
Depois que Maitê foi embora, Soluço agradeceu por Jack ter me trazido no horário em que combinamos. Entrei pra dentro de casa enquanto ambos conversavam, encontrei Banguela e o abracei, ele havia se tornado um grande amigo durante esses dois meses. De vem em quando, Soluço me deixava voar com Banguela enquanto ele estava com Astrid.
Me afastei um pouco do dragão e subi para o quarto de Soluço. Eu não queria vê-lo dormir no chão do andar de baixo, então eu improvisei uma rede para mim dormir. Não era muito confortável, mas era melhor do que vê-lo dormindo no chão.
– Stéfane, nós precisamos conversar. - Vi Soluço subir. - É sobre as nossas aulas.
– O quem tem elas? Tirei zero na prova sobre o Nadder Mortal novamente? - Soluço riu e negou com a cabeça, ou seja, eu finalmente tinha tirado uma nota boa naquela prova.
– Elas vão estar suspensas por um tempo indeterminado. Sabe, eu quero passar um tempo com a Astrid e nossas aulas são praticamente o dia todo. É por isso que eu vou apenas lhe dizer o que tem que fazer e o resto você faz por contra própria, eu sei que você consegue.
– Sabe, eu acho que isso não é uma boa ideia. Eu quase explodi o estoque quando perseguia um Nadder Selvagem imagina o que poso fazer com a ilha enquanto tento me transformar num dragão ou usar os meus poderes.
– Você consegue, afinal, você é mais forte do que pensa. - E então ele saiu do quarto, me deixando pensativa.
Não demorou muito tempo para que eu dormisse. Naquela noite, sonhei com todas as pessoas que eu deixei para trás. Meus amigos, minha família, meu cachorro, tudo. Eu sentia saudade de tudo, mas tudo o que eu imaginei está se tornando realidade, eu só nunca imaginei que fosse tão difícil assim.
Ao acordar, fui diretamente para a academia de Dragões, e lá estava apenas Perna-de-Peixe, Melequento e os gêmeos. Eu não me lembro de ter visto Soluço em casa, ele certamente deveria estar com a Astrid, enquanto eu estou encarregada de aprender sozinha e eu era capaz de pôr fogo na ilha inteira.
– O Soluço não está aqui. - Per-de-Peixe falou.
– É, eu sei. Mas não é por isso que eu vim aqui. - Me sentei no chão, não estava nem um pouco preocupada em me sujar, já rolei na lama aqui e ninguém brigou comigo, mesmo sabendo que eu poderia ficar doente.
– Então qual foi o motivo? - Melequento perguntou.
– Eu preciso de um novo treinador. - Eu falei calmamente.
– O quê? Você não pode simplesmente querer outro, o Homem da Lua foi quem escolheu o Jack e o Soluço, não tem como voltar atrás. - Melequento me disse, mas eu apenas o ignorei.
– Olha eu não acredito que vou dizer isso mas o Melequento tem razão. - Perna-de-Peixe olhou para mim e certamente se perguntou o motivo de eu querer outro treinador. - Qual é o...
– Soluço dispensou as minhas aulas por um tempo indeterminado, mas eu não me sinto segura sem alguém responsável ao meu lado. - O interrompi.
– O Soluço responsável? Não foi ele quem quebrou seu tal de celular ao usá-lo como uma arma para pessoas magras iguaizinhas a ele?
– É, foi ele sim mas era apenas um celular, o problema é ele era a única coisa que me tirava do tédio. - Levantei-me e me aproximei de Batatão. - Mas isso não é importante, não para vocês.
– Você e o Soluço brigaram novamente? Ele é muito rígido com essa coisa de te ensinar a descobrir o que você pode fazer, e pelo que eu sei, ele não dispensaria as aulas para poder ficar com a Astrid assim a toa.
– Também pensei assim Perna-de-Peixe. Mas infelizmente, as coisas não são exatamente do jeito que queremos.
– Mas infelizmente trocar de treinador não está nos planos do destino, então, terá que esperar as aulas voltarem. - Melequento falava enquanto me empurrava para fora da academia.
– E enquanto eu fico aqui para esperando a boa vontade do Soluço me dar aulas a violência só fica aumentando, tanto aqui como no outro lado da barreira.
– Poderíamos acabar com as pessoas violentas cortando parte do corpo delas. - Disse Cabeça-dura.
– É, e depois poderíamos explodi-las. - Cabeça-Quente continuou.
– Gente, isso gera mais violência.
– Verdade, dessa vez ele pede desculpas.
– Cabeça-Quente, já percebeu que quando a Stéfane fala parece o Soluço. - Cabeça-Dura achou que estava sussurrando, mas para a sua infelicidade estava falando para Deus e o mundo ouvir.
– É, parece que eles são realmente irmãos.
– Olha, não vou ficar aqui ouvindo idiotices. Obrigado por não me ajudarem.
Saí da academia de dragões indo diretamente para a loja do Bocão. Quem sabe ele não teria alguma coisa para mim? O dia estava completamente chato, não tinha nada o que fazer e eu não podia sair de Berk, nem mesmo para poder visitar o Jack.
Ao chegar na Loja de Bocão, ele não estava. Procurei em toda parte e nada. Desisti de procurá-lo, então resolvi simplesmente andar por Berk enquanto chutava uma pedrinha que logo foi devorada por um filhote de Gronkel. Suspirei e continuei a olhar par ao chão, não vendo absolutamente nada que estava na minha frente. O que foi um erro pois eu acabei esbarrando em alguém.
– Me desculpas mas você deveria pelo menos ter dito que estava na minha frente. - Resmunguei.
– Desculpe se eu não vi você também. - Olhei para a garota que havia esbarrado e ela era a garota que eu via de vez em quando andando com os outros. – Espera, você é a Stéfane, não é?
– Ah, todo mundo sabe meu nome! Sabe, eu sinto falta de dizer o meu nome.
– Que bom que você veio para a festa. – Olhei para trás da menina e vi Bocão. Até que enfim eu o encontrei. Ao sue lado, estava o ROUBA-OSSOS? Pensei que ele tinha sumido. 
– Eu sou a Júlia. – A garota me respondeu, felizmente alguém com um nome bastante comum nessa ilha. Me levantei do chão e a cumprimentei. – Não era para você estar treinando com o Jack e com o Soluço?
– Hoje é a aula do Soluço, e o garoto dispensou as minhas aulas por um tempo indeterminado, ele disse que precisava passar um tempo com a Astrid.
– O Soluço fez oquê? – Nessa hora o meu coração gelou. Olhei para trás e vi o Tio Stoico com os braços cruzados olhando bem para mim. Eu havia colocado Soluço numa tremenda encrenca. – Como é essa história? Eu quero saber direitinho.
– É... Olha a hora! Marquei de passear com o Bafo e o Arroto hoje na hora do almoço. Tchau! Eu como quando voltar! - Saí correndo, o que provavelmente deixou Stoico extremamente furioso, mas eu não estava nem um pouco preocupada com isso.
Voice's Soluço
– Sabe, ela ainda continua meio chatinha. Levo ela pra poder voar no Banguela e a garota simplesmente quer se jogar de uma altura inexplicável e se jogar no mar. Você sabia que as pessoas do outro lado nadam em água com cloro? - Estava comentando com Astrid sobre a Stéfane e as pessoas do outro lado.
– Você suspendeu as aulas dela? - Era a única coisa que Astrid conseguia dizer desde o momento em que a contei que dispensei as aulas de Stéfane para ficar com ela. - Você suspendeu as aulas da Stéfane? - Ela repetiu.
– Suspendi, mas não precisa disso tudo.
– Você sabe o quanto isso vai prejudicá-la? E o seu pai? Se ele descobrir que você está deixando de cumprir a sua missão ele te mata. - Astrid, sempre preocupada comigo. - Você vai ter que voltar com essas aulas, nós temos vários anos para passearmos juntos. - Ela me selou.
– A Stéfane já está bem crescida, ela vai saber como controlar um dragão ou se transformar em um, estudamos isso o dia inteiro.
– Você tem certeza?
– Eu claro que tenho. Olha ala ali. - Apontei para Stéfane, que andava apressadamente pela floresta e sempre olhava para trás.
– Eu não estou gostando dessa história.
– Pois comece a gostar, vai ser assim até eu decidir que ela precisa de ajuda. - Olhei para Stéfane que agora estava sentada numa pedra e ao seu lado um Terror Terrível, provavelmente estariam conversando. - Stéfane! - Gritei. Ela olhou para mim e Astrid e veio até nós.
– O que você quer? - Ela perguntou.
– Eu acho que eu não sou a única pessoa que não está gostando dessa história de aulas suspensas. - Astrid riu.
– Bem, eu tenho uma tarefa para você. Durante esses dois meses, eu descobri que você sabe se cuidar muito bem, e isso pode ser bom para você conseguir um companheiro na sua jornada.
– E o que isso tem haver com a profecia?
– Você vai para a ilha dos dragões, sozinha e treinará um dragão. Quando voltar, quero ver qual foi o dragão que o destino escolheu para te ajudar quando precisar.
– Você que o quê? - Astrid e Stéfane gritaram, juntas.
– Eu só posso estar sonhando. Você nunca me mandaria para a ilha dos dragões, nem me deixa sair de Berk quanto mais para uma ilha cheia de dragões selvagens.
– Não é um sonho, é bem real. Te levarei amanhã bem cedo, eu espero que esteja acordada.

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