7 de abr. de 2014

Past Memories - Conto 06: A Flor Dos Dois Mundos

Depois daquele dia, tudo voltou a ser exatamente o que era, excerto Stéfane que começara a treinar. Jack a ensinava a descobrir o que podia fazer e Soluço a ensinava cada coisa sobre os dragões. Estava sendo divertido treinar Stéfane, Soluço descobriu que além de ser teimosa ela é a pessoa mais retardada que já conheceu.
Stéfane não era a única que estava aprendendo coisas novas, Soluço estava aprendendo muito com ela. Numa bela tarde, Stéfane insistiu em mostrá-los algumas coisas que eles provavelmente não sabiam que existiam, e depois de muito implorar Soluço sedeu. Eles foram até Portugal onde Stéfane os apresentou a Internet.
O único problema foi na hora de ir embora. Perna-de-Peixe e Soluço não queriam sair do computador. Estavam muito ocupados tentando um vencer o outro num jogo no qual eles não disseram o nome, na verdade nem sabiam.
O tempo passava com velocidade, e Stéfane se tornava cada vez mais próxima a todos daquele ilha. Stoico a chamava de filha e Soluço considerava a garota como sua irmã mais nova que nunca teve. Fazia cerca de dois meses que Stéfane estava naquela ilha, e mesmo estando feliz lá, ela sentia muita falta da sua família.
Na clareira onde Soluço encontrou Banguela, Stéfane se encontrava sentada perto do lago. Soluço passava por lá e ficou curioso quando a viu fazendo alguma coisa. Ele se aproximou um pouco e pôde ver o que a menina fazia, era um violão, mas era bem diferente do que estava acostumado a ver.
Stéfane, ao terminá-lo, começou a tocar alguma música no qual era desconhecida pelo garoto. Insegura, ela começou a cantar a música, baixo para que ninguém a escutasse, ela sentia vergonha de cantar na frente de alguém.
I want to know, have you ever seen the rain? I want to know, have you ever seen the rain Comin' down on a glorious day? - A garota cantou.
Soluço ficou encantado coma voz de anjo da garota, ele nunca ouviu alguém cantar assim, na verdade, nunca ouviu alguém cantar. Ele se aproximou bem devagar, para não assustá-la, sentou ao seu lado e a ouviu tocar. Ele havia gostado bastante do seu talento no qual era desconhecido por todos naquela ilha.
- Desde quando você aprendeu a tocar? - Stéfane assustou-se e seu um grito. - Desculpe, eu não queria assustá-la.
- Da próxima vez que fizer isso eu vou arrancar todos os seus dentes. - Ela ameaçou.
- Vou avisar, não quero ficar banguelo. - O Fúria da noite ao seu lado resmungou. - Desculpe Banguela, mas é que sem meus dentes eu não como, entendeu?
- O que você fazia me espionando?
- Queria saber o que estava fazendo. Vai que você constrói alguma arma pra me matar enquanto eu estou dormindo. - Soluço brincou.
- Não sou uma pessoa sedenta por sangue. - Stéfane já estava mais calma, então ela simplesmente voltou a tocar a música. Por conviver mais com ele, não tinha vergonha de quase nada. - Quando é que o Jack vai voltar? Faz tmepo que ele está em Nova York.
- Só mais alguns meses. Você sabe que ele é um guardião e tem seus deveres protegendo as crianças. Mas e quanto as aulas da Sara, estão indo bem?
- Sim, estão. Mas quando eu a chamo de Elsa ela pira. - Os dois riram. - Por qual motivo ela não gosta que a chamem de Elsa? Esse é o verdadeiro nome dela, não é?
- Acontece que ela não se conformou ainda que tem poderes mágicos. Ela queria ser uma pessoa comum, queria pertencer ao outro lado das barreiras. Então ela inventou esse nome, Sara. Infelizmente ela vai ter que se conformar que ela estará sempre presa nesse mundo.
- E quanto a mim, por qual motivo eu não posso passar mais que duas semanas no lado em que nasci? - Stéfane perguntou, embora tenha se passado dois meses, nunca a disseram sobre ela não poder passar mais que isso no mundo real.
- Você é uma das raras pessoas que são trazidas para o Polo. Elas tem uma rara doença no qual não podem passar muito tempo no mundo real, a não ser se tiverem algo a fazer lá que tenha de passar muito tempo.
- Quantas pessoas já foram trazidas pra cá?
- Eu nunca as contei, mas são bem poucas. Você é a única que sabe sobre a magia. Quando essas pessoas chegam, elas são enfeitiçadas para que não vejam seres no qual a população acreditam não existir. Então eles apenas ficam estudando e tentando encontrar a fábrica do Papai Noel, mas nunca acham.
- E qual é o motivo dessa doença?
- Existe uma flor que fica localizada na cidade em que você nasceu. Ela é quem criou a barreira entre o mundo mágico e o mundo real. Quando essa barreira foi criada, as pessoas do outro lado pararam de acreditar nos seres de contos de fadas. E só voltarão a acreditar quando essa flor for destruída. E além dela impedir a crença das pessoas, ela faz com que as pessoas que tem essa doença desapareça quando passam do limite.
- Eu terei que destruir essa flor também?
- Eu não sei, não tocamos no assunto da flor, só estou te contando pois você precisava saber, faz parte do que você tem que aprender.
Os dois ficaram calados por algum tempo, olhando os peixes pulando na água e Banguela brincar com os mesmos. Soluço foi olhar para Stéfane e viu uma vara de pescar ao seu lado, curioso ele pegou a mesma e olhou para a garota, sem falar nada, ele pegou uma isca na bolsa que se encontrava entre os dois e começou a pescar.
- Não sabia que você pescava. - Ele falou, quebrando o silêncio entre os dois.
- E não pesco, apenas peguei isso para tentar e, eu não consegui.
- Por que?
- Não consegui pegar uma minhoca. Eu tenho nojos desses bichos quase desmaiei quando uma subiu pelo meu braço. - Confessou. - E então eu a joguei no lago e não sei o que aconteceu com a minhoca.
- Você é na verdade uma fresca, isso sim. - Soluço foi respondido por um soco no seu ombro. A garota era magrinha que nem ele mas tinha um soco forte.
- Acontece que eu não cresci no meio do mato como você. 
- Está dizendo que eu cresci no meio do mato? - A garota assentiu, já que era o óbvio. - Você precisa de um óculos, Berk não é uma floresta.
- Na verdade você é quem precisa de um óculos. Se você não percebeu, estamos no meio da floresta. - Soluço olhou para os lados e viu que Stéfane estava certa. - E para a sua informação, eu uso óculos.
Por essa Soluço não esperava. Stéfane tinha uma ótima visão, ela conseguiu ver uma galinha perdida que estava no topo de uma montanha, como ela pode usar óculos? Talvez fosse por causa de seus novos poderes, sua visão estava ficando boa por causa da chama do dragão. 
Enquanto Stéfane via o viking pescar, Jack voltava para Berk na esperança de vê-la. Ele estava animado para apresentá-la os Guardiões, que não diferente de Jack, também estavam ansiosos para conhecê-la. Ele a viu numa clareira com Soluço, o cabelo dela estava mais curto desde a última vez que a viu, ela deveria ter cortado.
- Stéfane é você mesmo? - Ele disse ao aproximar-se dos dois. Ela sorriu ao reconhecer a voz e foi correndo abracá-lo. Eles haviam se tornado grandes amigos desde o dia em que se conheceram.
- Pensei que ainda estaria em Nova York.
- É, eu deveria estar lá. Mas uma amiga nossa ficou fazendo o meu trabalho só por hoje. Mesmo reclamando ela ficou lá, espalhando a neve.
- E qual é o motivo de você ter voltado?
- Vou levá-la para conhecer os outros Guardiões como lhe prometi, é claro se o amigo coruja ali deixar. - Stéfane riu.
- Contando que ela continue desse lado da barreira. É, ela pode ir sim. - Soluço aprovou sua saída de Berk. - Só lembra de trazer ela de novo.
Jack assentiu e pegou Stéfane pela cintura, invocou o vento e seguiu em direção a fábrica de Norte. A garota sentiu um pouco de medo, novamente. Ainda não estava acostumada a ficar nos ares, embora já tivesse voado nos dragões várias vezes e até mesmo conseguido voar por conta própria. 
Ao chegarem, Fada Do Dente veio voando abracá-la. Elas se cumprimentaram e Stéfane se assustou quando a Fada abriu sua boca para poder ver os seus dentes. Quando finalmente Norte apareceu, pediu-a para fechar a boca da criança.
- Então você é a famosa Stéfane? É um prazer finalmente conhecê-la pessoalmente. - Stéfane sorriu, ela ainda estava um pouco tímida. - E vejo que as roupas viking caíram bem em você.
Ele examinou-a de cima a baixo. Ela usava uma roupa idêntica a de Soluço, era a única que cabia nela enquanto as suas estavam sendo providenciadas. Stéfane olhou para trás do Norte e viu um dos seus Guardiões preferidos, o Coelho da Páscoa. Ela, como uma criancinha correu até ele e o abraçou.
- Essa é a Stéfane? - Coelhão achava que a garota era um pouquinho maior, e ficou espantado ao ver o tamanho da garota. Todos falavam isso quando a conheciam, ela era muito baixinha, mais baixa que Soluço devo dizer.
- É essa aí mesmo! - Afirmou Jack. Stéfane se aproximou de Sandman. - Sandman, está é a Stéfane. - Sandman deu um sorriso para a garota e ela apertou suas bochechas, ela o achava tão fofo que dava vontade de apertá-lo. - Só está faltando a Maitê.
- Ela está no reino de Corona, foi visitar a Rapunzel.
Voice's Maitê 
Acabara de sair do reino de Corona, e meu próximo destino era Berk. Ouvi dizer que Jack e Soluço estavam treinando a garota da imaginação super fértil. Eu controlava o tempo, então eu os usava quando era de extrema emergência. Mas devo confessar, quando estou bagunçando com Jack sempre faço alguma travessura com os meus poderes, é engraçado ver o Norte caindo na mesma armadilha várias vezes.
Peguei um pequeno barco e fui até a ilha, não era tão longe do Reino de Corona, e não levava nem quinze minutos de viagem. Quando cheguei, fui bem recebida por Bocão, que me levou até a casa de Stoico. Ao chegar, vi apenas Soluço brincando com Banguela.
- Maitê, que surpresa boa!
- Também é bom te ver Soluço. - O abracei. - E então, onde está a tal Stéfane?
- Bem, ela foi na fábrica do Norte com o Jack, mas já faz algum tempo e ela já deve estar vindo, se ela não chegar antes de escurecer eu terei que dar uma bronca no Jack. - Rimos.
- Como anda seu relacionamento com a Astrid? - Perguntei, fazia tempo que não o via e queria saber das novidades.
- É, está indo bem. Mas não estamos nos vendo como costumávamos, tenho muito trabalho com a Stéfane e ela está tomando conta da acadêmia de dragões.
- Você está muito próximo dessa Stéfane, não está?
- Sim, eu estou. E devo confessar que ela é bem diferente do que ela aparentava ser.
- E o que ela aparentava ser?
- Teimosa, chata, briguenta, violenta, essas coisas. - Sorri. - Mas na verdade ela é a garota mais doce que conheci. É super tímida com pessoas que não costuma ver muito, parece que é muda algumas vezes. Ela certamente ficará bem tímida quando te conhecer, mas com o tempo ela vai se soltando mais.
- Eu acho que você está encantado por ela.

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