Voice's Peter Pan
A última coisa que eu me lembro é de cair no meio da floresta. Abri meus olhos e fechei, fiz isso inúmeras vezes, tentando me acostumar com a claridade. Havia amanhecido, e eu não estava mais na floresta. Sabia que tinha alguém ao meu lado, não só uma pessoa, mas sim várias. Virei-me para encará-las e vi Soluço, Elsa, Astrid e Rumpelstiltskin. Astrid estava com uma espada, Elsa se preparando para congelar algo, Soluço com um escudo e Rumpelstiltskin com absolutamente nada.
Me levantei, bem devagar. Estava cansado e a claridade não estava colaborando com isso. Quando me levantei, eles apontaram armas para mim, mas eu nem liguei para isso. Estava ocupado demais em saber quantos anos Stéfane teria agora e como estaria sua aparência. Quando mais nova, não tinha muita bochecha, e eu duvido ela ter agora que está mais velha. Continuei ignorando as armas apontadas para mim e encarei-os. Alguém entrou no local onde eu estava, que na verdade era uma barraca.
- Stéfane disse que está na floresta, e não quer ajuda para vir, pretende vir andando mesmo. - Era Larissa, uma garota que podia controlar as plantas.
- Ela já percebeu que tem um dragão com ela? - Soluço a perguntou.
- Infelizmente ela ainda não está acostumada a voar em dragões, e você deveria saber muito bem disso. - Astrid o respondeu. Eles falavam como se eu não estivesse ali. - Temos que mantê-lo aqui, quando ela chegar poderão conversar, quem sabe não se acertam e ela faça-o perceber que as trevas não é o melhor caminho.
- Vocês acreditam mesmo que ela pode me mudar? - Perguntei. - Olha pra mim! Relembre o que eu já fiz! Mandei sequestrar pessoas, matei pessoas, abandonei pessoas... Ainda tem esperança de que eu mude quem eu sou?
- Não. - Elsa falou. - Mas a Stéfane tem.
- Se puderem, quero ficar sozinho com o Pan. Temos coisas a acertar. - Rumpelstiltskin pediu. - E eu saberei se estiverem me espionando. - Avisou.
- Que não faça nenhuma besteira, nós sabemos o que planeja fazer. - Soluço disse um pouco bravo, o que eu estranhei. - Vamos gente! - Eles deixaram a barraca, me deixando sozinho com Rumpelstiltskin.
- Olá papai! - Ele disse.
- Você não me perdoa, não é? - Rumple riu. - Tem uma coisa no qual somos muito parecidos Rumple. Abandonamos nossos filhos. - Ele me olhou um pouco bravo, e eu estava gostando disso. - Você demorou anos para encontrá-lo, fez uma maldição e queria que ela fosse quebrada para encontrá-lo. E o que aconteceu no final? Ele morreu. - Rumpelstiltskin tentava segurar as lágrimas, lembrar do filho deveria doer bastante. - A única coisa no qual você tem para se lembrar dele é o Henry.
- Eu não queria abandonar meu filho, diferente de você.
- Eu era só um adolescente quando você nasceu.
- E infelizmente ainda é. Você me trocou pela juventude, pela imortalidade. E olhe o que aconteceu. Eu também sou imortal. - Ele riu. - Imagine quando Stéfane ver que Peter Pan tem um filho. Ela perceberá que todas as histórias que ouvia estão se tornando reais.
- Pelo que eu saiba as minhas histórias são com a Wendy, não com você.
- As pessoas podem mudar as nossas histórias. - Rumpelstiltskin disse com um meio sorriso no rosto. - Lembra de Larissa? Ela já foi uma menina perdida, e assim como qualquer outra criança, acreditava que você era um herói.
- Eu ainda posso ser.
- Infelizmente eu não acredito nisso. - Rumpelstiltskin levantou a mão direita, e do nada sua sombra apareceu com uma adaga na mão. Arregalei os olhos e tentei fugir, o que não deu certo. Rumple me pegou e me atingiu nas costas. Facadas nas costas geralmente não dão muito dano, a não ser se atingir algum órgão, o que não me aconteceu. Mas era a adaga do senhor das trevas, e ela poderia matar tanto a mim quando a Rumpelstiltskin. Gritei com tamanha a dor. - Infelizmente você não vai ficar para poder ver Stéfane crescida e madura.
- Ela pode chegar agora e eu vê-la!
- Eu acho que não. - Ele tirou a adaga, me deixando cair no chão. - Sabe o que estou fazendo? Irei fazê-la se apaixonar por Henry, e sei que você não gosta nem um pouco dessa ideia. - Tentei falar algo. - Não fale nada, eu sei que você não ama ela daquele jeito, o seu amor por ela é de amizade. Mas você não queria vê-la crescer e ver ela com alguém faz dê-la uma garota crescida. E garotas crescidas não combinam com você! - Ele me atingiu mais uma vez, desta vez na barriga. Ele a retirou e eu me senti ficar fraco. Eu não tinha mais chances, iria morrer sem ver Stéfane crescida, sem vê-la me perdoando. Tudo estava ficando escuro, e eu sabia que eu não duraria nem mais cinco minutos.
- NÃO! - Ouvi um grito. Era a voz de Stéfane, mas estava um pouquinho mais grossa agora. Tentei vê-la, mas antes de poder ver seu rosto, eu já não respirava mais.
- Mudanças de planos, minha jovem. - Foi a última coisa que eu consegui ouvir.
Voice's Vany
Não entendi direito aquela pergunta. Ou ele estava brincando conosco ou aquilo realmente estava acontecendo. Seria mesmo Jack Frost? O ex amor da Stéfane e agora 'noivo' de Jayle? Doeu-me lembrar que agora Stéfane não estaria mais aqui para poder fingirmos estar noiva dos personagens de contos de fadas. Ela era noiva do Soluço, Jayle do Jack Frost e eu do Sandman. Era estranho, mas era legal.
O silêncio reinava entre nós, e até mesmo os dois garotos estavam em silêncio. 'Jack Frost' nos encarava curioso, e parecia pensar em alguma coisa. Decidi quebrar todo aquele silêncio, isso já estava me irritando.
- Deve ser porque a Jayle te ama e diz que você é tudo de bom. - Ela me encarou feio. - E também porque você é um humano assim como eu e ela.
- Acha que eu sou tudo de bom? - Ele a perguntou, dando um sorriso malicioso.
- Eu nunca disse isso, Vany deixa de espalhar mentiras sobre a minha pessoa. - Ela estava super vermelha, o que me fez rir.
- Vocês não acreditam, mas conseguem me ver. Onde eu vi isso? - Ele ficou pensando um pouco, até lembrar-se de algo e sorrir. - Vocês são as pessoas desconhecidas da sociedade! - O albino falou entusiasmado.
- Você é louco! - Jayle disse a ele.
- Posso provar que eu sou o Jack Frost. - O albino disse um pouco bravo. Ele deu impulso e voou, o que achei demais e estranho. Não sei o que ele fez, mas uma nuvem apareceu e caía neve dela. Ele era mesmo Jack Frost. - Acreditam em mim agora? - Ele perguntou ao descer, e a pequena nevasca parar.
- MEU DEUS! - Gritei.
- Tenho que apresentar vocês a Stéfane, precisam andar com ela e acreditar mais. - Ele riu, e eu e Jayle o encaramos um pouco assustadas. Ele conhecia a Stéfane?
- Stéfane? Você a conhece? Ou melhor, como é essa Stéfane?
- Quando ela chegou numa ilha próxima ao Pólo, tinha pele morena, cabelos castanhos e olhos castanhos, e também tinha treze anos. - Sussurrou a última parte. - Agora ela tem cabelos ruivos, pele branca e bochechas bem rosadas e os olhos são uma mistura de verde com azul. Olha, eu vou ter que sequestrar vocês.
- O quê? - Eu e Jayle dissemos juntas. Mal pudemos respirar, Jack invocou um vento muito forte e levou todos nós, até mesmo os garotos que estavam com ele. Isso tava parecendo um sonho.
Voice's Stéfane
Perguntas sem respostas. Era isso o que me restava agora. Peter estava morto, e Rumpelstiltskin foi embora sem dar explicações. Eu estava na clareira onde Soluço encontrou Banguela, era o meu lugar preferido. Jogava pedras na água, com raiva, com ódio. Eu não me conformava com isso, eu não teria minhas perguntas respondidas. Deixei lágrimas caírem. Não entendia, eu nem o conhecia, mas algo em mim dizia que ele era alguém especial, alguém no qual eu conhecia há bastante tempo.
Joguei mais uma pedra, gritando de raiva. Desabei no chão logo em seguida, liberando todas as lágrimas. O corpo de Pan sumiu assim que eu tentei me aproximar. Perna-de-Peixe disse que os meninos perdidos fizeram um feitiço para seu corpo se teletransportar para a Terra do Nunca. Ouvi passos vindo, mas não me importei em chorar na presença de alguém, muito menos quis saber quem era. Desde o dia em que cheguei, eu só sabia chorar. Isso já fazia dois meses.
- Sei como está sofrendo. Afinal, ele era o seu melhor amigo. - Ouvi a voz de Soluço. Me virei para ele, sem entender absolutamente nada.
- O quê? Você está escondendo alguma coisa de mim! Me conte!
- Você já esteve aqui antes. - Ele suspirou. - Não aqui em Berk, mas na Terra do Nunca. Isso já faz anos, você ainda era só uma criança. No começo, Peter iria fazer de você uma menina perdida, e você sabia disso, mas continuava lá, o acompanhando e conversando com ele. Você tinha esperança de que ele mudasse. - Ele parou de falar e sentou ao meu lado. - Um dia, Pan decidiu que não iria mais te enganar, não iria fazê-la ser feliz de dia e chorar sentindo falta dos país a noite. Então ele a ignorou, durante um dia inteiro. A noite, quando foi dormir, os meninos perdidos de sequestrarão, levando-a para a praia. Ao chegar, Peter estava lá. Você achou que ele iria te soltar, mas ele lhe prendeu num pequeno barco e disse as piores coisas que você já ouviu, segundo você. Então ele lhe mandou de volta, mas apagou as suas memórias. Sempre que você voltasse, não se lembraria de nada do que aconteceu.
- Então é por isso que você não quer que eu vá embora? Para mim lembrar quem eu sou e o que devo fazer? - Ele assentiu.
- Era sim. Mas agora eu descobri que a maldição que Pan jogou em você foi quebrada. Quebrada quando você o viu novamente. Você se lembrará aos poucos do que te aconteceu no passado, mas agora, quando você sair, vai se lembrar de tudo.
- Então eu posso ir pra casa, estudar e a tarde voltar para completar o que devo fazer? - Perguntei.
- Vá! Mas não se esqueça do seu tempo, a flor ainda não foi destruída. Mas eu quero que você vá com uma coisa. - Ele estava com uma bolsa, de lá tirou um livro, o livro que era de Henry. - Henry quis que você ficasse com ele, para saber melhor sobre a nossa verdadeira história. E a suas histórias vão começar a aparecer, quando se lembrar do que lhe aconteceu e também estará escrito o que está acontecendo agora.
- Obrigada. - Sorri.
- Tem mais. - Ele voltou para a mochila e tirou de lá duas facas, o que me fez rir. - Para se proteger quando for preciso. E ainda não acabou. - Ele virou-se e pegou uma coisa atrás de si, era um arco e uma aljava. - Henry me contou que é boa em mira. - Ri.
- Obrigada Soluço, isso vai me ajudar bastante. Mas... E quanto a essas asas? - Ele olhou para elas. - E ao dragão que trouxe?
- As asas vão desaparecer e aparecer quando quiser. E quanto a fúria da noite, ela ficará bem, treinaremos ela enquanto estiver fora, o resto é com você. Já tem algum nome pra ela?
- O brilho dos olhos dela me lembra a lua. Então eu a chamarei de Luna.
- Gostei de Luna. Bem, você tem que ir agora. É final de semana e você tem que aproveitar com a sua família. Mas volte segunda assim que terminar as aulas.
- Eu voltarei papai.
- Tá mais pra irmão. - Rimos. Me levantei, e Soluço fez o mesmo. Mas antes de irmos embora, duas coisas caíram na água. Ao saírem, engoli em seco e não acreditei no que estava fazendo.
- Vany? Jayle? O que estão fazendo aqui?
Adore! Que Zeus proteja o Peter Pan daqui pra frente, mas é aí? Cadê eu?
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