5 de ago. de 2014

Capítulo 15 - Fada Azul

Voice's Stéfane
- Stéfane? - Vany me olhou confusa. - Você pintou o cabelo? A mecha deveria ser azul. - Ri. - E que tanto pó é esse nessa sua cara? Está sendo palhaça em algum circo? - Soluço riu e eu coloquei os 'presentes' que ganhei no chão e fui até elas, ajudando-as a saírem da água. - Onde a gente tá?
- Fomos sequestradas por um louco que dizia ser o Jack Frost. - Jayle olhou para os meus olhos e depois riu. - Essas lentes são estranhas. Verde em cima azul em baixo, gostei.
- Não é lente. - Jack disse, ele estava sentado no galho de uma árvore. - E eu sou mesmo o Jack Frost, já provei isso a vocês. - Jack desceu da árvore e veio até mim, me abraçando apertadamente. - Senti saudades! Quero que você conheça mais dois novos amigos para você. - Iria falar algo, mas de cima da árvore caíram dois garotos. Eles não pareciam ser daqui, e certamente estavam assustados.
- Anote aí Asriel, eu odeio subir em árvores. - Disse o mais velho. Eles me pareciam ser legais. - Onde nós estamos?
- Em Berk. - Soluço os respondeu. Jayle e Vany arregalaram os olhos e olharam bem para Soluço e Jack, eu sabia o que elas estavam pensando.
- Sei o que estão pensando, também não acreditei de primeira. - Peguei as coisas do chão e Soluço me deu a mochila, certamente tinha mais alguma coisa ali. Coloquei o livro e as duas facas. Coloquei a aljava nas costas e fiquei com o arco na mão mesmo. - Foi bom Jack ter trago vocês aqui, mas nós vamos voltar para casa agora.
- Espera! Você tem permissão para voltar pra casa? - Jack perguntou.
- Sim, o Soluço deixou. - Respondi com um sorriso.
- Você tá bem ou o Pan roubou seu corpo também? - Soluço não respondeu e olhou para mim. Lembrar que Pan estava morto me fazia ficar deprimida. Jack percebeu o clima tenso, e as meninas estavam confusa, o mesmo os dois garotos. - O que foi que aconteceu?
- O senhor das Trevas matou Peter Pan, então não é muito bom falar sobre o Pan perto da Stéfane, ela está triste. - Soluço o respondeu.
- Me desculpa Stéfane, eu não sabia.
- Não se preocupe, tudo vai ficar bem. Só será difícil quando eu recuperar as minhas memórias. Te vejo segunda-feira à tarde.
- Mas e as nossas aulas? - Ele perguntou.
- Vamos ter que mudar o calendário. - Ele sorriu e eu reparei que ele encarava as minhas asas no qual eu quis que aparecessem para ele poder ver. Vany se aproximou e ficou mexendo delas, decidi brincar e dei um tapa na sua cara com a asa.
- Ai! - Ela gritou. - Só estava olhando.
- Olhando com as mãos, sei. - Jayle riu. - Seria legal ficar mais um pouco e apresentar Jayle e Vany a todos, mas eu realmente preciso ir. Tenho saudades do meu computador. - Soluço revirou os olhos, eu vivia reclamando que aqui não tinha internet.
- Queria dizer que eu só trouxe elas pra poder ir embora? - Jack resmungou.
- Eu iria trazer elas mesmo e você fez um favor pra mim. -  Eu o empurrei, o fazendo rir. - Pelo que entendi você é Asriel e você? Quem é?
- Sou Rick. - Sorri.
- É um prazer em conhecer os dois. Acho melhor nós irmos meninas. - As encarei e elas ainda encaravam Soluço e Jack. - Vocês tem tempo de sobra pra poder olhar pra esses dois.
- Vocês tem mesmo que ir agora? - Soluço fez um biquinho muito fofo.
- Ah nem vem mudar de ideia! - Ele riu. - Beijo pra quem fica! - Peguei um dos globos do Jack e o atirei no chão, fazendo com que um portal se abrisse. Eu finalmente voltaria para casa e veria meus pais, família e amigos.
...
Os dias se passavam com intensidade e Jack ficava feliz em ver que eu começara a lembrar dele quando era criança. Descobri que Pan havia feito muita coisa ruim, mas existia uma profecia de que apenas uma pessoa podia fazê-lo perceber que o caminho das trevas só o faria mal. Passei anos da minha vida acreditando que Peter Pan era um herói, e ainda acho que ele é. Ainda não entendi o motivo de ele ter trocado de corpo com Henry e ninguém me explicava direito o motivo. Alguns diziam que era por pura maldade, outros diziam que ele queria o coração do garoto para poder ser imortal.
Eu andava devagar e dava um oi para os habitantes de Berk. Iria pegar um navio com destino ao reino de Corona e arrastei Jayle e Vany para irem comigo. Elas ainda estavam um pouco desconfiadas por conta disso tudo e algo me dizia que elas tinham poderes mágicos. Digo isso pois Jack me disse que era possível. Soluço me permitia ir para os outros lugares, e eu ria quando ele dizia que eu estava sendo prisioneira dele quando ele se sentia inseguro de me deixar andar sozinha. Ás vezes considero Soluço como uma mãe, digo mãe pois a minha mãe me trata do mesmo modo que Soluço me trata. 'Não faça isso, pode se machucar!' 'Não poderá ir pra tal lugar, tenho medo de algo ruim acontecer com você!'. Confesso que isso me fazia me sentir em casa, já que passo a maior parte do tempo em Berk.
Meus pais não entendiam o motivo de eu ficar só para poder ir a escola, almoçar e depois ir embora. Nos fins de semana eu passo quase o dia inteiro com eles. Eu começara a passar um pouco mal, já que estava exagerando um pouco no meu tempo que posso ficar lá. Eu queria arrancar aquela maldita flor pela raiz.
- Corona é o reino de quem? - Perguntou Jayle.
- Acho que é da Rapunzel. - Vany olhou para mim e eu assenti. - Olha, eu sei de mais coisas dos contos de fadas do que eu achava que sabia.
- Na verdade eu disse onde era Corona pra você ontem. - Infelizmente tive que destruir o momento 'sou sábia' de Vany. - Jayle onde estava ontem? Não te vi em Berk? - Ela me olhou e logo depois cruzou os braços.
- Estava tomando uma dose de realidade. Minha família está estranhando eu estar saindo muito e de vez em quando voltar para casa com um arranhão do seu Terror Terrível ridículo.
- Ele só quer brincar. - Vany disse colocando a mão no ombro de Jayle. Eu a encarei e abaixei a cabeça.
- Não sabia que seria tão difícil assim para você aceitar que fazemos parte de dois mundos agora. Rick e Asriel acham que você não está gostando de conviver com os seus personagens de contos de fadas preferidos.
- Gostar eu estou gostando. Jack é muito legal e mais irritante do que aparenta ser. Mas é que isso tudo é loucura! Eu nunca imaginei que o Soluço, Banguela, Elsa e Jack existissem. E por falar na Elsa ela é uma louca que acha que o nome dela é Sara.
- Ela só queria ter nascido do outro lado da barreira.
- Mas ela não nasceu! Ela tem que se acostumar que o lugar dela é aqui!
- Eu já me acostumei que meu lugar é aqui. - Olhamos para trás e vi Elsa sentada na borda do navio, ela parecia triste. Olhei para Jayle e ela estava de olhos arregalados, provavelmente se sentindo culpada por Elsa estar triste. - Só vim trazer uma coisa que o Soluço mandou, Stéfane. - Ela me entregou um Elmo, então lembrei que Soluço disse que iria me dar uma surpresa viking. - Ele disse que agora você vai se sentir parte da ilha de Berk. Bem... Eu já vou indo. - Elsa monteu em Tempestade e foi para o caminho de Arendelle.
- Eu... Eu não queria tê-la magoado.
- Não se preocupe, eu também fiz muita besteira quando cheguei aqui.
...
Corona estava cada dia mais alegre, nem parecia que um mal estava prestes a vir. Os guardiões se preparavam pois segundo o Homem da Lua uma ameaça estava por vir. Me separei das meninas já que elas iriam comprar comida e eu iria comprar algumas roupas. Amo roupas. Encontrei um vestido verde que me lembrou muito sininho. Soluço disse que tinha gente me procurando, me procurando para matar-me. E para me esconder eu tinha que ter uma roupa que fizesse eu ficar parecida com o povo daquelas terras. Minhas roupas modernas entregariam o plano de me esconder. Eu já vesti algumas roupas do Soluço, algumas que não davam mais nele por conta do seu crescimento. Faz pouco tempo que recusei, não ficava bem uma garota vestir uma roupa de menino. O vestino que escolhi era bem simples e assim que comprei eu o vesti imediatamente.
Combinei de encontrar as meninas no centro de Corona. E sei que elas demorariam pois ficariam encantadas com a magia. Bom, pelo menos Vany ficaria. Andava despreocupada com o mundo a minha volta quando ouvi um bater de asas. Vire-me e vi uma linda fada, suas roupas eram azuis, lindas roupas azuis. Ela me encarou com um sorriso no rosto. Olhei bem para ela e percebi que era a Fada Azul. Ela se aproximava e logo deixou de ser uma miniatura e ficou do tamanho de uma pessoa normal.
- Não adianta esconder, eu sei exatamente qual é o seu desejo. - Eu a olhei confusa, não sabia muito bem do que ela estava falando. - Já faz quase um mês que ele está morto. E eu sei que você faria tudo para poder fazê-lo voltar a vida.
- Como sabe de todas essas coisas? - Perguntei a encarnado. Olhei a minha volta e não havia ninguém. Era como se todas as pessoas tivessem desaparecido.
- Eu ouço os desejos das pessoas e meu dever é realizá-los. Infelizmente eu não posso trazer Pan de volta. - Abaixei a cabeça. - Mas tenho uma coisa que pode. Está preparada para o que vai ouvir?
- Faço qualquer coisa para trazer Peter Pan de volta a vida.

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