Voice's Stéfane
- Então é o seguinte. Estou presa nessa ilha já faz cinco dias, nenhum sinal do tal dragão que Ping falou e ainda por cima tem algo ameaçando Berk? - Perguntei a Melequento que me acompanhava em passos lentos.
- É exatamente isso o que está acontecendo.
- E você não sente nenhum pingo de remorso em saber que a tribo no qual você pertence está sendo ameaçada por um garoto de mal comportamento?
- Não, nenhum pouco. Pois eu sei que no final quem vai acabar salvando a pátria é você. - Revirei os olhos e continuei a caminhada, cortando as folhas com espinhos que ficavam em nossa frente.
- Não conte comigo em tudo, eu posso acabar virando uma decepção para toda Berk. E eu ainda tenho que ter uma conversa com Peter Pan, que história é essa de que ele fez parte do meu passado?
- E você vem perguntar pra mim? Que só te conhecia de vista? Se eu soubesse que nossos caminhos iriam se cruzar faria isso mais cedo.
- Não entendo. Como Peter Pan trocou de corpo com o Henry?
- É uma coisa que ele faz. Nesse exato momento eles estão tentando achar um jeito de quebrar o feitiço e acabar de uma vez por todas com o Pan. - Parei, o olhando em seguida. Guardei a faca e o encarei séria. Eu não deixaria que matassem o Pan. - Disse alguma coisa que não deveria?
- Eu não vou deixar que destruam o Peter Pan. Tem muita coisa sobre a minha vida que ele sabe, e eu quero saber. Eu tenho esperança. Esperança de que um dia ele se arrependa do garoto que é e que saia da escuridão. Ele só precisa... - Suspirei.
- Do que o Pan precisa? - Melequento me perguntou, achando que eu não sabia do que o garoto precisava. Suspirei novamente.
- Do amor de uma família. Uma coisa que ele nunca teve e nunca soube dar.
Voice's Soluço
Uma lenda conta que somente uma pessoa podia fazer com que Pan enxergasse quem realmente era. O garoto bom que há dentro dele, mas ele se recusa a aceitar essa lenda, mesmo que ele saiba que um dia isso irá acontecer. Ele usou o corpo de Henry para enganar a todos, o que não deu certo, pois perceberam que ele andava completamente estranho. Sininho e Henry se posicionaram em frente ao inimigo. Pan tirou o capuz, ainda com o sorriso estampado no rosto.
- Pelo visto vocês encontraram a salvadora. Quem é ela? - Pan perguntou. Fechei a mão em um punho e me direcionei a ele, que deu um meio sorriso. - Você parece se importar muito com ela. Sinto que a considera uma irmã mais nova que nunca teve.
- O que você quer conosco?
- Apenas o nome da verdadeira crédula. Ela e Henry têm coisas em comum. A crença na magia. Eles sempre acreditaram em coisas impossíveis.
- Creio que você conhece a salvadora, Pan. - Henry disse. - Seus caminhos se cruzaram há um bom tempo atrás. Creio que você se sente só quando o pôr do sol chega, foi exatamente o horário em que você a deixou partir.
- Do que está falando garoto?
- Stéfane. Esse nome não te lembra algo? - O sorriso estampado no rosto de Peter se desfez, dando lugar à uma expressão assustada e triste. - É engraçado como as coisas que deixamos para trás ainda podem nos fazer chorar. - Henry estava bravo, e fazia de tudo para ferir Pan, não fisicamente, mas emocionalmente.
- Como sabem dela?
- Nada acontece neste lugar sem que eu saiba. - Meu pai o respondeu, destemido e corajoso, como sempre foi.
- Sabemos de muita coisa sobre você, Pan. - Palas começou.
- E você sabe de poucas coisas sobre nós. - Larissa terminou.
- Do que vocês estão falando? O que vocês sabem sobre ela? - Ele gritou, e eu podia ver perfeitamente lágrimas caindo de seus olhos. Era a primeira vez que via Peter Pan chorar.
- Não percebeu? Enquanto estava com ela, ela estava mudando você. Sabemos que você se sentia especial quando estava com ela, sentia que pela primeira vez, alguém se importava com você. - Comecei. Pan se aproximou de mim, bravo, mas ainda assim, triste.
- O que vocês fizeram com ela?
- Não fizemos nada, é ela quem está fazendo. - Bocão disse.
- Do que está falando?
- Stéfane é a salvadora, Pan. É ela quem vai salvar todos nós de Breu, e especialmente, vai te tirar da escuridão.
- Stéfane?
Voice's Henry
Saí dali, o clima começava a ficar tenso. Pan descobriu que Stéfane era a salvadora, e eu não sabia se ele iria matá-la ou se iria protegê-la de Breu. Existe uma história, uma história que diz que eles foram grandes amigos no passado. Ela era a única que compreendia Pan, a única que não tinha medo dele, mesmo sabendo de suas maldades. Ela apenas o repreendia e em seguida fazia uma sopa para acalmá-lo quando sentia raiva de alguém. Mas um dia ele a enganou, a prendeu e a mandou de volta, e tirando de sua mente todos os momentos que ela vivesse nos contos de fadas. E agora que ela está de volta, enfrentará a verdade sobre si mesma.
Fui para a floresta, onde lá encontraria Rumpelstiltskin, ele encontraria uma maneira de voltar ao meu corpo e acabar com Peter Pan. Ao chegar, ele já estava a minha espera. Sou apenas um garoto de treze anos, mas sei que com Rumpelstiltskin sempre tem um preço.
- Sabia que não iria resistir a minha proposta, garoto. - Ele sorriu. Me sentei em um tronco caído e fiquei o encarando. - Qual é o problema?
- Sei que com você sempre há um preço. O que você quer?
- Você é um menino esperto, Henry. Veremos o que eu quero de você. - Ele me olhou e ficou pensando. - Já sei! - Estralou os dedos. - Quero que ajude a Stéfane a fazer com que Bela me perdoe, eu errei matando a Bruxa Má do Oeste quando ela me proibiu, mas eu precisava vingar o meu filho.
- Porque não pensou nisso antes de fazê-lo?
- Zelena matou meu filho! E eu prometi que vingaria sua morte, e Rumpelstiltskin nunca quebra as suas promessas.
- É só isso que você quer? Que eu a ajude a convencer Bela a te perdoar? - Ele assentiu. - E o que ganhará com isso? E se ela não te perdoar?
- Me perdoando ou não, eu ganharei uma coisa. - Ele me encarou com um sorriso malicioso no rosto. - Verei você e a Stéfane juntos por mais um tempo. - Ri.
- Quer me ver com a Stéfane?
- Seria divertido eu atrapalhar um pouco a profecia, a fazendo se apaixonar temporariamente por outra pessoa.
- Eu só quero meu corpo de volta. Mas... Aceito o seu acordo. - Levantei o braço e o senhor das trevas me cumprimentou. - Mas lembre-se. Se for usar fogo, cuidado com meu rosto.
- Verei se posso evitar.
Voice's Stéfane
Meus pés doíam, assim como todo o meu corpo. Parei para me encostar numa árvore e ignorei os comentários de Melequento. Infelizmente eu tinha que dizer, mas ele estava apenas me atrasando. Peguei uma garrafa d'água na mochila e a bebi. Ping saiu de meu ombro e farejou o ar, olhando logo em seguida para um arbusto. O vi se mexer, peguei a faca e a segurei, mas Ping disse que eu não precisava me preocupar. A tal coisa saiu do arbusto e eu vi um dragão, não era um dragão comum era.
- Fúria da noite?! - Melequento disse espantado.
- Não um fúria da noite qualquer. - Ela rugiu para o garoto. Melequento me olhou e com os olhos entendi que ele queria que eu traduzisse.
- Ela disse que não é um fúria da noite qualquer. É uma fêmea. - A dragoa me olhou estranho, provavelmente se perguntando pelo motivo de eu estar a entendendo.
- Você... Você é diferente. Você pode me entender? Como? - Ela me perguntou espantada. Eu guardei a faca novamente e encarei.
- Da mesma maneira que eu posso fazer magia. - Ao acabar de dizer isso, senti um formigamento nas costas. Um formigamento estranho. Os dragões e o Melequento me olhavam de um modo surpreso. Antes que eu pudesse dizer algo, senti algo bater nas minhas costas e meus pés saírem do chão. Logo reparei o que estava acontecendo. Eu havia ganhado asas. - Oquê? Mas... Como?
- Você aceitou oque podia fazer. Você aceitou que tem magia. Você é agora não é mais uma pessoa comum, é também uma fada. - Dente de Anzol me disse, na maior naturalidade.
Voice's Jayle
Aquilo estava mais do que estranho. Nunca vi uma nuvem tão escura como aquela. Olhei para o outro lado e outra nuvem se aproximava, dessa vez branca, e nessa nuvem havia um garoto. Um vento frio soprou, me fazendo estremecer, o mesmo acontecia com Vany. Além do homem na nuvem preta, estava mais dois garotos, eles pareciam amarrados. Vany me puxou para debaixo de uma árvore. Não consegui ver mais nada, apenas luzes, negras e brancas. Alguma coisa estava acontecendo. Passou-se um tempo, e quando tudo finalmente parou, abri meus olhos, o mesmo fez Vany. Não consegui dizer algo, pois senti mãos me tocando, me fazendo gritar de desespero.
- Não se assuste! - Ouvi a voz de um garoto. - Ele já foi embora, vocês não correm mais perigo! - Me virei e vi um garoto albinos de lindos olhos azuis e cabelos brancos. Ele estava fazendo cosplay do Jack Frost?
- Quem é você? - Perguntei ofegante. - E quem era aquele homem?
- Sou Jack, e o homem era o Breu. - Ele me soltou. - Vocês estão bem? - Vi dois garotos com ele, os garotos assentiram. - Como ele sequestrou vocês?
- Eu não sei. Eu estava dormindo e tive um pesadelo. Quando acordei, aquele cara sequestrou a mim e ao meu irmão.
- Como se chamam?
- Eu sou Rick e esse é o meu irmão, Asriel.
- Vou levar vocês à Berk, lá estão seguros e serão muito bem recebidos.
- Espera! Do que estão falando? - Vany perguntou sem entender absolutamente nada, o mesmo acontecia comigo. O garoto albino me encarou.
- Acredita em magia? - Eu o olhei estranhamente, ele era louco ou oquê? - Você acredita em magia? - Ele me perguntou em novamente.
- O quê? Não. Você é louco?
- Ou um mentiroso. Ou ambos. - Vany disse. O albino nos encarou e depois para si mesmo. Ele tocou em mim e logo depois em Vany, o que foi muito estranho.
- Como... Como vocês conseguem me ver se não acreditam?
- Acredita em magia? - Eu o olhei estranhamente, ele era louco ou oquê? - Você acredita em magia? - Ele me perguntou em novamente.
- O quê? Não. Você é louco?
- Ou um mentiroso. Ou ambos. - Vany disse. O albino nos encarou e depois para si mesmo. Ele tocou em mim e logo depois em Vany, o que foi muito estranho.
- Como... Como vocês conseguem me ver se não acreditam?
Voice's Stéfane
- Não. Não posso ter asas. Eu só queria ter uma vida normal, estar com os meus pais brigando por coisas idiotas e rindo logo em seguida. - Desci e encarei-os. - Eu não vou ficar com elas pra sempre, vou?
- Temo que sim. Mas você pode fazê-las desapareceram e aparecer quando quiser. Só precisa aprender a fazer isso. - Ping disse. Eu olhei para as asas e dei um suspiro, obrigando-me a me acostumar com a ideia.
- Olha, eu quero sair da ilha. Mas pra sair, eu preciso que ela vá. - Apontei para a dragoa que me encarava, sua pupila agora estava dilatada.
- Você é diferente. Confio em você, e eu vou.
- Qual é o seu nome e qual é a sua história? - Eu a perguntei.
- Eu não tenho nome. E não sou uma fúria da noite qualquer. Nasci na noite, mas foi um raio de sol que me deu vida. O único raio de sol que caiu na noite.
- O que ela disse? - Melequento me perguntou.
- Ela nasceu na noite, mas um raio de sol a deu vida. - Toquei no focinho do dragão fêmea em minha frente. Suas escapas eram quentes e seu olhos eram de um azul intenso, como o céu quando está prestes a escurecer. - A pele dela é quente como fogo, mas ela não é da classe fogueira. Acho que encontramos uma nova espécia de dragão
Voice's Peter Pan
Ela havia voltado, e se lembrasse-se do que fiz com ela, certamente não me perdoaria. Eu deveria ter percebido. Ela foi a única pessoa que acreditou que eu poderia mudar, e eu posso. Fugi dali quando descobri quem era a salvadora, quem iria salvar este mundo das trevas. Soluço e os outros certamente sabiam que eu iria ficar assim, eles poderiam ter mentido, mas ao lembrar dela já me fazia sentir-me pior. Segui em direção a floresta, mas ao chegar, não sei o que aconteceu. Caí no chão e a minha visão ficou embaçada, mas pude ver alguém se aproximar.
- Chegou a sua hora, Peter Pan.
Voice's Henry
- Acha que vai dar certo? - Perguntei ao senhor das trevas. Ele encarou Soluço e depois olhou para mim. - E se não funcionar?
- Você tem pensamentos negativos demais. - Disse Rumpelstiltskin. - Soluço, você e Júlia se importariam em vigiá-lo enquanto dorme? Tenho coisas a fazer.
- Que tipos de coisas? - Júlia perguntou.
- Terei o prazer de ver Pan no corpo de Henry antes de voltar ao seu corpo. - Soluço suspirou e assentiu. - Caso aconteça alguma coisa, Palas e Larissa estarão aqui, vigiando caso alguém mais queira entrar.
- Só duas pessoas de vigia caso algo dê errado? - Perguntei.
- Ainda tem o resto da vila, garoto. Agora se deixe e deixe-me completar o meu serviço. - Deitei-me e o vi pegar uma varinha. Ele me pediu para encará-la enquanto a movia para cima e para baixo, e eu seguia seus movimentos com os olhos. Senti minha visão ficar pesada, e quando fechei os olhos, só consegui ouvir as vozes das pessoas que estavam ali.
- Agora eles voltarão para seus corpos, e Stéfane será responsável pela mudança de Peter Pan. - Disse Soluço.
- Não deixarei que ela faça isso. Ele tem que pagar pelos seus crimes. - O senhor das trevas sussurrou para Soluço.
- Você não pode. Absolem disse que ela o faria mudar. - Júlia disse, um pouco brava por Rumpelstiltskin estar mudando a história.
- Absolem está no País das Maravilhas, minha jovem. E ninguém disse nada sobre eu mudar o rumo dessa história. Eu sou o Senhor das Trevas, eu sou o único que pode brincar com isso.
- Mas a atrasará i Breu destruíra o outro lado muito em breve. As pessoas estão ficando cada vez mais cruéis. - Eu não via nada, mas podia ouvir, isso estava certo? Soluço dizia aquilo com certa preocupação na voz.
- Isso não acontecerá se eu não deixar.
Logo em seguida não consegui ver mais nada. Momentos de quando tudo isso aconteceu vinha em minha mente. Vi eu sendo sequestrado, a sombra de Pan e os meninos perdidos matarem meus sequestradores. O momento em que Peter me enganou dizendo que era um menino perdido mas estava fugindo, e quando ele trocou nossas almas para que eu fosse preso na caixa de pandora. Mas com a ajuda de minha mãe, consegui sair, e foi difícil convencê-la de que eu não era o Pan.
Abri meus olhos e me vi numa floresta. Eu havia voltado para o meu corpo. Talvez o tempo em que via tudo o que me aconteceu, foi o tempo em que o senhor das trevas vinha até aqui ver Pan voltar para o seu corpo. Senti uma flecha quase me acertar e me virei. Vi Stéfane, Melequento, Dente de Anzol e mais dois dragões. Desde quando ela aprendeu a usar arco e flecha?
- Como aprendeu a fazer isso? E como conseguiu isso? - Melequento a perguntou, as mesmas perguntas que eu iria fazer.
- Aprendi muita coisa nos dias em que estava na ilha dos dragões. E enquanto dormia, eu fiz esse arco e encontrei flechas de homens mortos na ilha. - Ela o respondeu. - Treinei um pouco e aprendi. Mas agora... Você é o Peter Pan ou...
- Sou o Henry, voltei para meu corpo.
- Como posso acreditar nisso?
- Gosto de chocolate quente com canela. - Ela pareceu não acreditar.
- Isso não basta. Existe momentos, momentos que mudaram a minha vida de uma forma no qual eu não pudesse imaginar.
- Eu lhe salvei do Capitão Gancho quando estava no corpo de Peter Pan. - Stéfane abaixou o arco e me encarou, com um sorriso no rosto.
- Você conseguiu! - Ela veio até mim e me abraçou. - Pan ainda está vivo? Tenho que falar com ele, tem coisas que ainda não foram explicadas, e estou decepcionada com Soluço sobre isso.
- Sim, ele ainda está. Mas tem algo que eu quero que saiba.
- O que aconteceu?
- Rumpelstiltskin. Ele está brincando com a profecia. E eu acho que isso não é uma boa notícia para ninguém, já que o seu futuro está escrito. Ele quer mudar isso. Não deveria estar brincando com coisas do senhor das trevas, mas era melhor você saber.
- Henry. Nós vamos ter uma conversa com Rumpelstiltskin.
Amei, posta logo o próximo capítulo, Stef, por que ainda não tem nenhum semideus, Deuses gregoa e Amazonas na fic?
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