1 de jun. de 2014

Give Me Love

- Prólogo

*Lindsay
Seria mais um dia de aula, mais um dia de tédio e chatice. Eu gostava de estudar, um pouco, mas não gostava da sala em que eu fui colocada. Os alunos não deixavam o professor dar a sua aula, nem mesmo fazer uma prova de matemática me deixavam me concentrar. Eu era uma das poucas alunas que prestava atenção nas aulas e tinha o comportamento bom. Entrei na sala de aula e me sentei, o professor de Geografia logo chegaria na sala. O sinal tocou, fazendo algumas pessoas entrarem na sala e outras não entravam, certamente só esperavam a bronca do professor.
- Bom dia meu povo e minha póva! - O professor disse assim que chegou.
- Grr! Hoje é quarta-feira. - Disse Carmem, a garota no qual eu odiava e nem me pagando iria com a cara dela.
- E o sinal já tocou, deveria estar dentro da sala. - Ela iria entrar, mas professor a impediu. - Está achando que aqui é a casa da mãe Joana? Não, o que é que tem que dizer ao professor quando entra antes do sinal?
- Posso entrar?
- Está faltando alguma coisa...
- Com licença, eu posso entrar? - Carmem meio que gritou.
- Agora pode. - A loira revirou os olhos e entrou na sala. - Queria dar meus parabéns a Lindsay, a única aluna dessa turma que conseguiu tirar uma boa nota na prova da semana passada.
- Tinha que ser a nerd - Debochou Carmem, me fazendo revirar os olhos.
- Pelo menos ela não passou vergonha tirando um zero. - Defendeu-me o professor.
- Nem sempre fui a garota que sou hoje. - Falei baixo.
...
A noite caía, e o jantar começara a ser colocado no fogo. Ajudava a minha mãe a preparar o mesmo, faz parte do meu dia-à-dia. Cortava os legumes enquanto mamãe fazia o arroz. Desde o momento em que ela chegou, não falamos nenhuma palavra se quer. Eu tinha uma boa relação com a minha mãe, mas hoje eu não estava muito afim de falar e eu sentia que ela sabia disso. Terminei de cortar os legumes e deixei num canto, como sempre faço. Peguei meu celular e meus fones de ouvido e me deitei na cama, ouvindo música e pensando em momentos felizes.
- Seria bom viver numa terra na qual eu não tenha obrigações. Eu não quero crescer. - Sussurrei. Com medo de que algum dos meus pais ouvissem. Coloquei alguma música para escutar e optei por Give Me Love, do Ed Sheeran. Senti meus olhos ficarem pesados e finalmente se fechar completamente.
...
Acordei sentindo alguma coisa se aproximar de mim. Achei que era a minha mãe, mas ela estava dormindo do outro lado da cama. Me levantei, e não encontrei absolutamente nada em minha frente. Talvez eu estivesse ficando louca, ou tenha sonhado, geralmente eu acordo sentindo algo no qual estava no meu sonho. Fui até a cozinha e bebi um copo d'água. Todos estavam dormindo, o que indica que eu dormi demais. Abri o forno e vi meu prato de comida dentro do mesmo, certamente mamãe sabia que eu iria acordar no meio da noite e deixou comida para mim. Esquentei e sentei na mesa para poder comer.
- De onde eu venho você não precisa fazer comida. Basta pensar que ela simplesmente aparece
Virei-me completamente assustada. Não havia mais ninguém em casa a não ser eu e minha mãe. Meu pai estava trabalhando, e pelo que eu saiba nenhum primo ou parente havia vindo dormir aqui. Ao virar, não vejo absolutamente ninguém, nem mesmo uma sombra. Aquilo estava bem estranho, e eu estava com muito medo. Me levantei e peguei uma faca, tremendo, mas disposta a saber se tinha alguém na casa.
- Isso não funcionará comigo. - Ouvi a voz novamente, dessa vez atrás de mim. Me virei e senti que a pessoa ainda estava atrás de mim. Empurrei-o e coloquei a faca em seu pescoço, o prendendo entre mim e a parede. - Isso foi bom, muito bom!
- Quem é você? - Perguntei, baixo pois minha mãe estava dormindo.
- Acho que não começamos muito bem. Não queria assustá-la, mas também não era minha intenção chegar aqui de uma forma mais amigável. Confesso que achei engraçado o seu medo. - Não via muito o seu rosto, mas vi o suficiente para o ver dando um sorriso sínico. - Eu sou Peter, Peter Pan.
- Não estou brincando. Quem é você?
- Creio que não acredita muito em contos de fadas. Na realidade, acredita, mas na sua cabeça é tudo coisa de sua mente tentando lhe enganar.
- Quem é você? - Repeti. Forçando um pouco a faca em seu pescoço, o fazendo rir mais um pouco.
- Eu já disse. Sou Peter Pan. E sinto muito informá-la, mas essa faca não é o suficiente para me matar.
- E quem disse que irei matá-lo?
- Pelo modo que prensa essa faca em meu pescoço, parece estar querendo me matar. - Ele tirou a faca de seu pescoço e jogou-a em cima da mesa. - Isso não são modos de tratar um visitante.
- Trato com carinho visitante bem vindos. - Ele de de ombros, ainda com o sorriso no rosto.
- Já sou quase de casa, venho aqui todos os dias observar você dormir.
- Como conseguiu entrar aqui?
- Feijões mágicos, eles são bem úteis hoje em dia. - O garoto foi até a bandeja de frutas e pegou uma uva. O olhei e vi seu rosto, ele sorriu novamente ao perceber que eu o encarava. - Não precisa ficar babando.
- O quê? - Perguntei incrédula. - Não posso mais encarar o garoto que simplesmente entra na minha casa e diz que passa as noites em claro me observando? - Ele riu, sínico e misterioso.
- Você é uma garota esperta, Lindsay. É por isso que eu quero levá-la comigo.
- Desculpe mas eu não sou Wendy Darling.
- É por esse motivo que eu quero que venha comigo. Para o lugar que você desejou ir. Uma terra na qual não terá responsabilidades. Um lugar onde nunca irá crescer.
- E se você não for um garoto psicopata tentando me sequestrar? Carmen te mandou aqui?
- Não, eu não vou te sequestrar. Só quero que venha comigo. Conhecer os meninos perdidos.
- E que lugar seria esse?
- Terra do Nunca. Este lugar é executado em imaginação, em crenças. - Fechei os olhos e tentei imaginar aquele lugar. Sempre sonhei em ir para a Terra do Nunca, mas eu era apenas uma criança de sete anos, não sabia direito o que era o certo e o que era o errado. Agora tenho treze anos, sabia muito bem que coisas daquele tipo não aconteciam, eu podia ser enganada e leva para um lugar completamente diferente, e lá, esse tal Peter me matar. Suspirei, abrindo meus olhos sem seguida.
- Soa maravilhoso.

Um comentário: