Voice's Stéfane
A luz do sol estava se enfraquecendo, e pelo que pude perceber uma nevasca estava vindo. O frio estava me fazendo congelar, embora a tempestade ainda não tenha começado. Eu ainda tentava encontrar o dragão no qual Ping havia me falado, e eu não o encontraria assim tão fácil. Senti minhas pernas amolecerem e cai no chão. Estava cansada, e parar para descansar e comer não seria uma má ideia.
- Ping, você também precisa descansar. - Ele sentou em meu ombro. - Está com fome? Eu trouxe alguns peixes comigo e para a sua sorte tem o suficiente para nós dois e algum dragão que irei treinar.
- Uma sardinha já está ótimo. Eu não estou com tanta fome.
- Bem, eu tenho sardinha. - Peguei o pequeno peixe e joguei pra o Terror Terrível que logo o abocanhou e comeu. - Sabe onde podemos encontrar essa sua amiga?
- Sim, no topo daquela montanha. - Olhei para a montanha que Ping olhava e não acreditei que teria que andar aquilo tudo. Era muito longe.
- Vai demorar dias até chegar lá.
- Seria bem mais rápido se fossemos voando, mas eu não consigo voar sem parar até lá e você bem... Ainda não pode voar.
- Como assim ainda não posso voar?
- Eu sei que você salvara o mundo das trevas. Assim como também sei que a salvadora um dia criará asas e poderá voar. Suas asas serão idênticas as das fadas da Terra do Nunca. - O olhei sem dizer uma palavra. Eu ainda não estava acreditando que seria capaz de voar.
- Está me dizendo que um dia eu poderei voar sem a ajuda do pó das fadas? - Ping assentiu. - Então eu poderei voar de volta para casa visitar a minha família?
- Aí é um pouco complicado responder. Você só pode ficar lá durante duas semanas e se passar disso irá desaparecer.
- Como sabe disso tudo?
- Eu sou um dragão, e esperamos pela nossa irmã meia humana desde o começo da nossa era. Eu senti que era você quando toquei em você. Pude sentir o calor do seu corpo com a mistura do frio. Você é a filha da natureza, a pessoa que mais crê em magia nesse mundo, como não saber que era você?
- Acontece que eu não sei fazer nem um pingo de magia ainda. - Suspirei. - Eu ainda não consigo fazer magia, como podem saber que sou eu?
- Você nasceu sabendo falar? - Neguei. - Aprendeu com o tempo, certo? - Assenti. - Assim será com os seus poderes. Um dia você poderá fazer coisas incríveis.
- É... Temos que ir, quero logo achar essa sua amiga e treiná-la para poder voltar para Berk de uma vez por todas. Eu só quero me deitar e conseguir dormir. Já fui atacada por um navio pirata e agora dragões selvagens. Só o que falta é o Breu aparecer na minha frente e me atacar também. - Levantei, peguei as minhas coisas e continuei caminhando com Ping.
Voice's Jack
Estava vindo uma nevas, e não era eu e nem Elsa que estava a fazendo. A única pessoa que pode fazer isso além de nós é Stéfane, ela deve estar um pouco aborrecida ou algo do gênero. Stoico e outros vikings estavam levando toda a aldeia para o grande salão e Soluço estava preocupado com Stéfane, ela estava naquela ilha sozinha e certamente poderia morrer quando a tempestade chegasse.
- Eu tenho que ir buscá-la. - Soluço disse.
- Você disse para ela que só voltaria quando conseguisse treinar um dragão, e você sabe muito bem quando mudam a missão dela a garota fica uma fera. - O avisei.
- Eu sei, Jack. Mas ela pode morrer nessa tempestade. Se ela morrer as nossas chances irão acabar, e Breu irá vencer.
- Não ele não vai. - Ele me olhou confuso.
- Como pode ter tanta certeza disso? Como pode ter certeza que ela ficará bem nessa tempestade que você pode estar fazendo?
- Porque não sou eu que estou fazendo. É ela.
Voice's Stéfane
O frio começava a ficar mais forte, e a minha raiva de Soluço por ter me deixado aqui sozinha só aumentava. Ping dormia dentro de minha mochila, e eu caminhava em direção aquela montanha no qual o dragão que estou procurando deve se encontrar. Talvez se eu lhe ajudasse seria mais fácil. Ouvi uma voz atrás de mim. Vire-me e não havia absolutamente ninguém. Peguei uma faquinha que Stoico havia me dado para defender-me e Ping acordou com o barulho da lâmina.
- Quem está aí? - Não obtive nenhuma resposta por um certo momento.
- A pergunta mais correta seria: porque ainda está aqui se já tem um dragão? - Vire-me e vi um homem. Suas roupas era de pele de crocodilo, elas eram um pouco diferentes para ele ser destas terras.
- Eu lhe conheço?
- Creio que sim. Rumpelstiltskin ao seu dispor! - Ele curvou-se diante de mim e logo depois voltou a encarar-me.
- Eu sou....
- Não precisa me dizer o seu nome. Eu sei exatamente quem você é. Sei que não gosta muito desse lugar Stéfane, você se sente presa aqui. Isso me lembra uma história que eu presenciei faz pouco tempo.
- Que história é essa?
- Você conhece Emma Swan?
Voice's Soluço
O dia estava estranho, a neve que parecia vir começou a acalmar-se e o sol retornar novamente. Jack estava certo, era Stéfane quem estava fazendo isso. Ela estava começando a usar seus poderes, mesmo sem saber como usá-los e que estava fazendo isso. As pessoas saíram do grande salão e voltaram para suas casas, cuidando de suas vidas. Vi Júlia se aproximar e decidi conversar com ela, fazia tempo que não falava com ela.
- Soluço, parece preocupado com alguma coisa.
- Eu estou, Júlia. Estou preocupado com Stéfane. Ela está usando os seus poderes e nem sabe disso. Tenho medo dela fazer um estrago e nem se tocar que foi ela quem causou aquilo.
- Ela vai ficar bem, Soluço. Stéfane já demonstrou que pode se cuidar sozinha quando destruiu o navio do Capitão Gancho.
- Mas agora ele quer matá-la. Eu deveria tomar mais cuidado com ela, eu sou seu treinador. - Júlia permaneceu em silêncio por alguns segundos e olhou para o horizonte. Certamente estava pensando no que Stéfane estava fazendo agora. Senti uma energia negativa, e meu primeiro pensamento foi em Stéfane estar em perigo.
- Você sentiu isso? - Júlia me perguntou.
- Senti.
- Ela está conversando com o senhor das trevas. - Ouvi Palas dizer.
Voice's Stéfane
- Emma Swan? Achei que fosse uma personagem qualquer de um diretor de filmes. - Rumpelstiltskin riu e sentou-se numa cadeira que ele havia criado.
- Você ainda não entendeu, não é? Todo personagem que tem algo que não pertence ao seu mundo existe. As pessoas acham que criou aquilo, mas o que elas não sabem é que o que estão fazendo faz parte do plano de fazer as pessoas acreditarem cada vez mais em nós. Você pertence aos dois mundos, minha jovem, e em breve você se tornará um conto de fadas como qualquer outro que vive aqui.
- E por qual motivo só posso ficar duas semanas em meu mundo?
- Soluço não lhe explicou direito. A flor bani aqueles que tem a imaginação fértil demais, ela os manda para o Pólo para morrerem congelados com o passar do tempo. Mas você tem um poder dentro de si, o que faz com que não congele aqui. A chama que tem dentro de você lhe aquece.
Calei-me durante alguns minutos tentando entender tudo o que estava acontecendo em minha volta. Eu estava falando com Rumpelstiltskin e acabo de descobrir que fui banida do meu mundo. Ele riu um pouco e levantou-se, a cadeira em que ele estava sentado desapareceu logo em seguida. Guardei a faca e Ping rosnou um pouco para Rumpelstiltskin, o mesmo o ignorou e continuou me encarando com um sorriso maléfico no rosto.
- Como ficou assim novamente? - Perguntei.
- Então você conhece a história. Acontece que esse sou eu. Estou de volta na Floresta Encantada, portanto, eu voltei a ser eu mesmo. O senhor das trevas.
- E quanto a Bela?
- Eu não sei, ela me abandonou quando voltei a ser eu mesmo.
- Se aquela história é real. Peter Pan está me enganando e fingindo ser meu amigo?
- Peter Pan já foi um menino muito levado. Mas agora ele não é como antes, se conformou que o bem sempre derrota o mal. Mas quero avisá-la que ele pode cair em tentações, ou talvez ser vítima de um feitiço de Breu.
- Se você é o senhor das trevas, o que Breu é?
- Senhor dos Pesadelos, por isso sugiro nunca ir dormir com a consciência pesada, ele destrói almas inocentes.
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